segunda-feira, 27 de junho de 2011

Voltar a te amar...


Vou com pressa sempre contra o relógio
tudo o que vivi nunca foi para mim
e ainda dói aceitar
mas é assim.

Besteiras não separam os dois
uma história sem fim volta a se repetir
mas eu sei que sempre
faço parte de ti.

Porque depois do seu amor
não há nada
mas reconheço o medo
no seu olhar.

Porque sempre me caio rendido quando você me chama
porque a cada minuto volto a sentir sua falta
você é para mim
desde o dia em que te vi.

Não deixo de pensar em você
mas é que eu tenho medo
de voltar a te amar.

Voltaria a apostar nesse amor
do que possivelmente perder a razão
você sempre será a ilusão
que prende o meu pobre coração.

Porque sempre me caio rendido quando você me chama
porque a cada minuto volto a sentir sua falta
você é para mim
desde o dia em que te vi.

Não deixo de pensar em você
mas é que eu tenho medo
de voltar a te amar...
te amar...

domingo, 12 de junho de 2011

Namorados...


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados e ruas de sonhos.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Feliz Dia dos Namorados!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Que choro!


Fique um momento assim
não olhe para mim porque não posso aguentar
se me cravas seu olhar me gela todo o corpo
que me passou antes e não posso falar.

Talvez você pense que sou louco
e é verdade um pouco tenho que aceitar
mas se eu não te explicar o que sinto aqui dentro
você não vai entender quando me ver chorar.

Nunca me senti tão só
igual ao dia de ontem
quando consegui te entender
mesmo quando estavas calada.

A vida me disse aos gritos
que eu nunca te tive
e nunca te perdi
mas me explicava.

Que o amor é uma coisa
que acontece subitamente
de forma natural
cheia de fogo.

Se você forçar
ele se vai
e se tem principio
chega ao seu final.

Agora talvez você possa entender
que se me tocar queimará minha pele
agora você vai entender
e não volte se não quiser ver.

Que eu choro por você
eu choro sem você
que eu já entendi
que você pode não ser para mim...
... e eu choro...